quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Dinâmica


Segunda-feira eu tenho uma entrevista de emprego numa grande empresa. Passe na primeira e agora tem uma segunda fase. Gostei da primeira porque foi uma conversa de entrevistador para entrevistado. Olho no olho. Sem falsidade, sem hipocrisia. Mas, eu não sei o que me aguarda na próxima, onde haverão mais candidatos. Só sei uma coisa: Odeio dinâmicas de grupo. É um dos métodos mais injustos, ridículos e mal feitos que existe para selecionar um coitado que precisa de trampo e se sujeita a humilhações para obter uma vaga no mercado de trabalho.
Você descobre se a empresa que está tentando entrar é séria na hora do processo seletivo. Se vem com brincadeirinhas e outros tipos de enrolação, nem faz força pra entrar porque é fria. Sério. Pseudo-psicólogos fazem brincadeirinhas pra descobrir o seu perfil e rir da sua cara, do tipo: "que animal você seria?" ou "se a Terra fosse acabar, qual de vocês deve ficar num abrigo de sobrevivência?"...pergunta pra uns vinte candidatos desesperados e só cinco vão sobreviver. Tem gente que faz de tudo, se estapeia, briga, conta piada sem graça, puxa o saco de quem está entrevistando. Já fui em uma que queriam que os candidatos dançassem. Pra que? Pra nada, as psicólogas ficaram rindo e disseram que era só pra descontrair. A humilhação é demais e no final, você percebe (muitas vezes) que era um jogo de "cartas marcadas". Já tinha gente ali que era indicada, tava com tudo certo e convidaram "você" pra fazer um número... Terrível...
Já fui em diversas dinâmicas, tantas que até perdi a conta. Poucas, eram sérias. Ainda prefiro a entrevista olho no olho, mesmo. Mas, já vi de tudo. Gente chorar, fazer papel de ridículo, ser hipócrita ao extremo, prejudicar os outros porque nem estava muito disposto a competir pela vaga, etc.
Espero que seja coisa boa, na minha próxima entrevista. Afinal, ninguém sai de casa pra fazer papel de palhaço pros outros. Pra isso, já existe o circo.

1 comentários:

Camila disse...

Olá Francisco!!

Interessante saber das suas experiências em entrevistas de seleção. Esta sensação de ser exposto ao ridículo é deveras desagradável. Entretanto, é importante ressaltar que não se pode generalizar. Existem processos seletivos sérios, que utilizam técnicas em grupo como um valioso instrumento. Obviamente a escolha e o direcionamento que se dá dependem do avaliador. Mas acrescento que no caso de profissionais bem preparados, o puxa-saquismo pouco ajuda e na maioria das vezes é negativo (exceto qdo o profissional é despreparado e vaidoso a ponto de permitir que suas carências e necessidades influenciem na sua percepção como profissional).
Também acho um desrespeito e desperdício de tempo realizar um processo com "cartas marcadas".

Abraços,
Camila Bordignon