terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Na calada da noite

NA CALADA DA NOITE

Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é
o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede devingança
incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma e eu estava
em minha cama quando,
Sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu
corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor.
Percebendo minha aparente indiferença,
Aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos..
Até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas
irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante anoite.
Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama, te esperar.
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos.
Não haverá parte do teu corpo em que meus dedos não passarão.
Só descansarei quando vir sair, o sangue quente do teu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti,
Pernilongo Filho duma Puta!!!

Carlos Drumond de Andrade

1 comentários:

Karen disse...

simplesmente mtoooooo bom!!!